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Véio, o artista que faz o sertão ganhar o mundo

Véio, o artista que faz o sertão ganhar o mundo

Rodrigo Rocha Rodrigo Rocha Publicado em 14 de junho de 2017

“Eu não sou um comerciante, sou um colecionador, um amante da arte”. A descrição que o artesão sergipano Cícero Alves dos Santos, o Véio, faz de si mesmo é confirmada a cada passo que se dá no sítio Só Arte, onde ele reside no município de Feira Nova, no sertão sergipano.

 

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Véio em seu museu de artefatos que contam a história dos sertanejos / Foto: Kadydja Albuquerque

 

No lugar, Véio guarda uma enorme variedade de objetos que contam a história de evolução dos sertanejos. Tudo está devidamente organizado em pequenas casas que o artesão construiu para compor o que ele batizou de cidade.

Numa visita guiada pelo próprio Véio, a história do povo do Sertão Sergipano se revela através da Casa de Farinha e seus objetos de mais de um século. Em outra casa, a história das profissões com uma furadeira manual, moldes para fazer sapatos, ferramentas e tantas outras raridades.

 

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Detalhe do universo do sertão sergipano, colecionado pelo artista / Foto: Kadydja Albuquerque

 

“A história não falou sobre os inventos do homem sertanejo”, lamenta o Véio, que recebeu esse apelido porque, desde criança, gostava de sentar juntos aos adultos e idosos de sua comunidade em Feira Nova para ouvir histórias.

É daí que vem, inclusive, o seu gosto por contar tantas delas. A cada objeto que mostra, ele dá as referências e explica os porquês de eles existirem. Em meio à sua coleção, peças confeccionadas pelo próprio artesão se destacam. São os guardiões da memória, como ele chama.

 

Do Sertão para o mundo

O gosto de Véio pela arte tomou forma pela primeira vez há pouco mais de 60 anos quando, com apenas 5 anos de idade, ele fez sua primeira escultura com cera de abelha, ainda em sua cidade natal, Nossa Senhora da Glória, no sertão Sergipano. Entretanto, foi na madeira que ele encontrou a matéria-prima para fazer o trabalho que já rodou o Brasil e o mundo.

 

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Arte em madeira é a sua marca / Foto: Kadydja Albuquerque

 

Em 2012, Véio representou o Brasil e os 10 artistas que foram selecionados pelo Instituto do Imaginário do Povo Brasileiro para compor o livro ‘Teimosia do Imaginário’ no seu lançamento em francês, realizado em Paris.

Ano passado, o artista expôs seu trabalho na 56ª Bienal de Veneza. A convite da marca italiana Marni, Véio pode ver suas obras ocupando um célebre monumento veneziano, a L’Abbazia di San Gregorio. Seu trabalho também compõe os acervos de instituições como a Pinacoteca de São Paulo, o MAM-Rio, o MAR-Museu de Arte do Rio e o Memorial de Sergipe.

 

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Em 2012, Véio foi escolhido para participar do lançamento do livro “Teimosia da Imaginação” em Paris, como representante dos artistas que integram a obra / Foto: Kadydja Albuquerque

 

O Universo de Véio

 

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Foto: Kadydja Albuquerque

 

Sua obra inclui peças de tipos humanos em madeira de tamanho natural, agigantados ou ainda em miniatura – as menores do Brasil, segundo ele mesmo. Sobre elas, Véio é enfático:

“A arte tem que passar o sentimento, a sua interpretação das coisas, do mundo. O que eu faço não são simples objetos de decoração, são peças de arte com história e razão de ser”.

Suas criações são únicas e podem ser encontradas em vários espaços de arte, mas ele só deixa seu sítio com as peças vendidas. “Muitos estrangeiros e gente de todo lugar já levaram peças minhas, mas nunca vendi nada ao povo aqui do sertão”.

 

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Arte em miniatura / Foto: Kadydja Albuquerque

 

Sobre o que produz, Véio revela seus gostos pessoais. “Prefiro as coisas cruas, na cor natural da madeira, mas também faço colorido porque as pessoas gostam e facilita o entendimento de quem não sabe muito de arte. Arte sacra, por exemplo, não gosto muito de fazer porque é sempre uma cópia de algo que já existe. Gosto de fazer as minhas peças únicas”.

O mundo tem aplaudido essa singularidade do artesão.

Com colaboração de Kady Albuquerque

 

Rodrigo Rocha
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