Uma volta a pé pela Pampulha, o mais novo Patrimônio da Humanidade Destinos
Uma volta a pé pela Pampulha, o mais novo Patrimônio da Humanidade

Uma volta a pé pela Pampulha, o mais novo Patrimônio da Humanidade

Paulo Lannes Paulo Lannes Publicado em 18 de julho de 2016

As obras arquitetônicas do Brasil continuam chamando atenção do mundo. Neste domingo (17/7), o Conjunto da Pampulha, em Belo Horizonte, ganhou o título de Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Trata-se da quarta nomeação que Minas Gerais recebe – a primeira dada a um projeto modernista no estado – e a 20ª de todo o país.

O conjunto da Pampulha é composto por cinco estruturas: Igreja São Francisco de Assis, Iate Golfe Clube, Casa do Baile, Praça Dalva Simão e Museu de Arte da Pampulha. Todos os edifícios foram construídos pelo arquiteto Oscar Niemeyer, famoso pelos monumentos construídos em Brasília, e contaram com a participação de outros grandes nomes, como o urbanista Burle Marx e o pintor Cândido Portinari.

Inaugurada em 2013, a Casa Kubitschek também integra o conjunto da Pampulha, mas não entrou no tombamento da Unesco. O espaço foi projetado por Niemeyer, conta com o paisagismo de Burle Marx e móveis dos anos 1940 e 1950. Lá, o presidente JK morou por alguns anos e, depois dele, um casal de amigos próximos. A ideia do espaço é fazer com que o visitante sinta o ambiente no período em que o conjunto da Pampulha foi construído.

Quem visitar a região perceberá que é possível conhecer todos os prédios tombados pela Unesco em um único passeio, que pode ser feito totalmente a pé. Preparamos um roteiro ideal para quem deseja conhecer as obras de arte que agora pertencem ao mundo inteiro. Confira!

Igreja São Francisco de Assis

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No interior da Igreja São Francisco de Assis vê-se um belíssimo afresco pintado por Portinari. Foto: Paulo Lannes

 

Principal símbolo do conjunto, a Igreja São Francisco de Assis é famosa pelas curvas pensadas por Niemeyer e pelos afrescos de Portinari. É de lá que o turista deve começar o passeio.

Inaugurada em 1942, a beleza do templo chamou bastante atenção, porém uma polêmica fez com que o local permanecesse fechado por 17 anos. É que Portinari pintou, no altar-mor, o santo que leva da igreja ao lado de um vira-lata esfomeado, ao invés do tradicional lobo. Uma verdadeira crítica social em um monumento construído em área nobre de Minas Gerais, um dos estados mais ricos do país à época.

Vale a pena também prestar atenção nos baixos-relevos em bronze feitos por Alfredo Ceschiatti para o batistério da igreja. As figuras, que representam a história de Adão e Eva, tiveram seus atributos físicos bastante valorizados, tornando-os sensuais demais para os fiéis àquele tempo. Hoje, é uma das principais atrações do local.

A entrada para o interior do templo é gratuita, mas pede-se doação. Lá há um guia que explica a história e as curiosidades da igreja.

Iate Tênis Clube

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Embora só associados possam entrar no Iate Tênis Clube, o local vale a visita pela área externa. Foto: Divulgação

 

Em 20 minutos de caminhada pela orla da lagoa da Pampulha (1,6 quilômetro) o visitante chega em outra estrutura que chama atenção de quem passa pela frente. Com o formato de um barco, o prédio em que funciona o Iate Golfe Clube – projetado por Niemeyer – parece se projetar ao espelho d’água.

Inaugurado em 1943 pelo até então prefeito de Belo Horizonte Juscelino Kubitschek, o local servia como ponto de recreação para as pessoas que viviam na região.

Além do edifício, o local reúne jardins de Burle Marx, pinturas de Portinari e esculturas de Ceschiatti, Zamoiski e José Pedrosa.

Atualmente, o local conta com diversas quadras de esporte (tênis, peteca, areia e poliesportiva), piscinas e salas de jogo. A área externa é de acesso público, mas para entrar em suas dependências o visitante precisa ser associado. A mensalidade mais barata, destinada a estudantes, custa R$ 105.

Casa do Baile

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A Casa do Baile chama atenção pela graciosidade e serve como ambiente romântico para casais. Foto: Ludmila Tavares

 

Se a estrutura do clube chama atenção pela suntuosidade, a Casa do Baile – que pode ser alcançada em 10 minutos de caminhada (700 metros) – se destaca pelo charme.

Situada em uma ilha artificial, o prédio desenhado por Niemeyer foi inaugurado em 1943 e funcionava como um anexo do Cassino (hoje o Museu de Arte da Pampulha) recebendo ali um restaurante. Na área externa, onde há uma marquise cheia de belas curvas acompanhada por uma pequena mureta, era o ponto ideal para casais de namorados.

Em 1948, o restaurante fechou as portas por conta da proibição do funcionamento de Cassinos. Depois, o local passou a ser utilizado para eventos comerciais até os anos 1980 até ser reaberta após de uma larga reforma em 2002.

Atualmente, no prédio funciona o Centro de Referência de Arquitetura, Urbanismo e Design, com um salão de 255 metros quadrados e um auditório de 53 lugares. Por isso, ocorrem várias exposições e eventos culturais no local. O passeio é totalmente gratuito.

Praça Dalva Simão

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A Praça Dalva Simão conta com uma surpreendente estrutura montada para receber o mostruário de plantas de Burle Marx. Foto: Yelp

 

Não precisa nem de 5 minutos (350 metros) para chegar na próxima atração do conjunto. A praça Dalva Silmão, também chamada de Iemanjá, reúne um dos melhores trabalhos de Burle Marx. Além disso, o local recebe as festividades em prol da Rainha das Águas, de matriz africana.

Infelizmente, o local inaugurado em 1973 é um dos mais castigados pelo abandono. A estrutura de concreto permanece, mas já não há as flores e trepadeiras pensadas pelo urbanista. Ele queria que o espaço funcionasse como um mostruário de plantas do cerrado e da mata atlântica, mas hoje a área chama mais atenção por parecer uma praça fantasma.

Museu de Arte da Pampulha

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O prédio que hoje abriga o Museu de Arte da Pampulha nasceu para receber um luxuoso Cassino. Foto: Divulgação

 

Com mais 30 minutos de caminhada (2,4 quilômetros) pela orla da lagoa chega-se ao último elemento do conjunto, o famoso Museu de Arte da Pampulha.

Criado em 1940 para sediar o Cassino da cidade, o prédio foi pensado por Niemeyer de acordo com a técnica do arquiteto francês Le Corbusier. O local também conta com o paisagismo de Burle Marx e esculturas de Ceschiatti, Zamoiski e José Pedrosa.

Com a proibição da existência de Cassinos no Brasil em 1946, fechou as portas e veio a reabrir novamente após 11 anos, como um museu. Graças aos Salões de arte que sediou ao longo das décadas, o espaço recebeu doações de obras feitas por artistas como Guignard, Di Cavalcanti, Tomie Ohtake e Franz Weissman.

Ao todo, o acervo do museu contabiliza 1,5 mil obras. Elas são expostas em mostras periódicas e temáticas. O local também recebe exposições com obras de outras instituições, mantendo-se ativa no roteiro cultural de Belo Horizonte.

 

Paulo Lannes
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