Quadro a quadro

Museu oferece 32 milhões de dólares por quadros desaparecidos

Paulo Lannes

Bio: Jornalista e estudante de Teoria, Crítica e História da Arte na UnB, viaja o mundo atrás de obras-primas e boas histórias. Aos sábados, ele dará dicas sobre museus e revelará curiosidades desse fascinante mundo das artes.

Museu oferece 32 milhões de dólares por quadros desaparecidos

Paulo Lannes Publicado em 9 de agosto de 2017

Em 1990, o Museu Isabella Stewart Gardner, localizado em Boston (Estados Unidos), sofreu seu mais duro golpe. Na calada da noite, ladrões surrupiaram 13 obras de arte orçadas, juntas, em 428 milhões de euros. Trata-se do maior roubo de arte da história até os dias atuais.

O baque não foi sentido somente pelo valor econômico das obras roubadas, mas também por serem verdadeiras raridades. Entre as peças estavam “Tempestade no Mar da Galileia” (1663), a única tela marinha feita por Rembrandt, e “O Concerto” (1665), de Johannes Vermeer – especula-se que haja cerca de 30 obras do pintor holandês em todo o mundo, sendo também uma das únicas feitas por ele com mais de um personagem retratado em uma cena.

Três da 13 telas roubadas do Museu Isabella Stewart Gardner. Fotos: Reprodução

Três da 13 telas roubadas do Museu Isabella Stewart Gardner. Fotos: Reprodução

Para piorar, o FBI descobriu que os dois ladrões das obras já estão falecidos (tiveram mortes violentas, mas ninguém diz o que de fato aconteceu com a dupla) e que eles não deixaram qualquer pista sobre o paradeiro das obras. Hoje, há dúvidas se as peças estão no país ou se foram parar nas mãos do grupo extremista Exército Republicano Irlandês (IRA).

Mesmo diante do cenário negativo, a equipe do museu não perdeu as esperanças. Pelo contrário, segue firme na campanha pela busca das obras e passou a oferecer 32 milhões de dólares por informações (sim, apenas informações) anônimas que possam ajudar no retorno das peças a sua casa de origem. Enquanto isso, a instituição segue aberta ao público geral mantendo a moldura onde estavam as obras roubadas vazias até hoje (os ladrões cortaram as telas na parede).

Tela de Manet roubada do Museu Isabella Stewart Gardner. Foto: Reprodução

“Chez Tortoni”, a tela de Manet roubada do Museu Isabella Stewart Gardner. Foto: Reprodução

Por detrás da vultosa oferta há um sinal de grave desespero. Em entrevista ao jornal El País, o holandês Arthur Brand, responsável por recuperar obras de arte, afirmou que se trata de um “agora ou nunca”. Para ele, o fato das peças estarem há 30 anos longe dos cuidados necessários pode indicar que as telas “não devem estar em boas condições”. Além do Vermeer e do Rembrandt há também obras de Manet, Degas e Flinck entre as que estão desaparecidas.

 

Estamos na torcida pelo retorno das obras.

 

Paulo Lannes
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