Quadro a quadro

Brasília: Festival internacional de Teatro aborda racismo, questões de gênero e ditaduras

Paulo Lannes

Bio: Jornalista e estudante de Teoria, Crítica e História da Arte na UnB, viaja o mundo atrás de obras-primas e boas histórias. Aos sábados, ele dará dicas sobre museus e revelará curiosidades desse fascinante mundo das artes.

Brasília: Festival internacional de Teatro aborda racismo, questões de gênero e ditaduras

Paulo Lannes Publicado em 16 de agosto de 2017

A capital do Brasil sedia um dos principais festivais internacionais de teatro do país. O Cena Contemporânea chega à sua 18º edição neste ano apresentando espetáculos que abordam problemas raciais, questões de gênero e as dores de ditaduras (holocausto, governos militares, etc).

O evento está marcado para ocorrer entre os dias 22 de agosto a 03 de setembro em diversos palcos do Distrito Federal. Entre eles estão o Teatro Funarte Plínio Marcos, a rede de teatros do SESC (no Plano Piloto, em Ceilândia, Taguatinga e Gama), o Imaginário Cultural (Samambaia) e oTeatro Lieta de Ló (Planaltina).

Além de montagens locais e nacionais (oito brasilienses e oito produzidas em outras cidades do Brasil), o festival recebe também peças de outros quatro países: Espanha, França, Colômbia e África do Sul. O Cena Contemporânea tem coordenação geral de Michele Milani e direção de produção e curadoria de Alaôr Rosa.

Os ingressos, que custam entre R$ 10 (meia) e R$ 20 (inteira),  são vendidos pelo site oficial do evento. Saiba, em detalhes, cinco atrações imperdíveis do evento.

 

 

Foto: Guto Muniz/Divulgação

Foto: Guto Muniz/Divulgação

Black Off

O preconceito racial está no cerne dos espetáculos Black Off, da África do Sul. Na montagem, feita em tons ácidos, a primeira personagem, Bianca White, reproduz sucessivos clichês ligados ao preconceito racial. O pensamento racista vai se revelando como essencialmente uma construção histórica que limita a visão do outro como parte da experiência social. O espetáculo ativa reflexões e afetos sobre a nossa humanidade, com grande potência cênica.

A atriz da peça, Ntando Cele, é também cantora e performer formada pela Escola Estudos de Drama, da Universidade de Durban, África do Sul, com mestrado em teatro na Dasarts-Amsterdã.

 

 

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Barro Rojo

A homofobia é o cerne da peça Barro Rojo, peça produzida na Espanha e atuada por Javier Liñera Peñas, que possui formação acadêmica e cursos posteriores com Odin Theatre (Dinamarca) e Pantheatre (França). O espetáculo faz uma viagem pela história do protagonista e de seu tio, que foi encarcerado num campo de concentração e depois numa prisão somente por ser gay. Voltando à Alemanha nazista e à Espanha de Franco, a intenção é refletir sobre o presente.

Mostrar a realidade que viveram pessoas no passado para que agora se possa ter a liberdade e os direitos do presente. Como inspiração para a montagem estão as palavras do escritor Miguel Ángel Sosa: “O tempo e o esquecimento são as grandes vantagens do verdugo. E ele conta com isso. Por isso, é necessário que mantenhamos intacta a memória contra a barbárie”.

 

 

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Duas Gotas de Lágrimas num Frasco de Perfume

Duas Gotas de Lágrimas num Frasco de Perfume é uma peça escrita e dirigida pelo brasiliense Sérgio MaggioNela, quatro mulheres compartilham a dor de não saber o destino de entes queridos, sequestrados, presos, torturados e mortos durante a ditadura militar brasileira.

Por meio de Rosa, Sofia, Tuca e Lola, o autor discute a relação de tempo, que passa a ser um grande algoz na vida dessas pessoas. Elas vão atravessando décadas e décadas a esperar uma notícia que não virá.

 

 

Foto: Mauricio Shirakawa/Divulgação

Foto: Mauricio Shirakawa/Divulgação

Há Mais Futuro que Passado

O espetáculo carioca Há Mais Futuro que Passado é um verdadeiro teatro-documentário baseado em depoimentos reais sobre a alienação da população brasileira com relação a seus irmãos de continente. Nele, se faz o seguinte questionamento: Qual é o lugar da mulher latino-americana na história da arte?

Com o subtítulo é Um documentário de ficção, a obra procura jogar luz sobre a vida e obra de importantes artistas latino-americanas cujo legado não chegou ao grande público, a partir de uma pesquisa histórica de fatos reais, obras e experiências de artistas latino-americanas dos anos 1960, 70 e 80. A peça faz uma crítica à história oficial, ao poder que as narrativas da “verdade” têm sobre a visão que temos do mundo e sobre os lugares que nele ocupamos.

 

Teaser “Tremor and more” Herman Diephuis from Rencontres chorégraphiques on Vimeo.

Tremor and More

O teatro abstrato e quase ritual de Tremor and More, da França, conta com a participação do dançarino brasileiro Jorge Ferreira. Herman Diephuis o conheceu durante um workshop em Brasília em outubro de 2016 e decidiu criar este solo curto especialmente para explorar a imensa capacidade de transformação do intérprete. O trabalho parte do tremor como movimento inicial, princípio, repetição e intervalo de tempo como condição para chegar a momentos de grande vigor físico, marcado por intervalos de quietude. Uma energia de dança ritual.

 

E aí, ficou com vontade de participar do festival?

 

Paulo Lannes
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